Locro argentino tradicional: o ensopado de milho, abóbora e carnes das festas pátrias

Publicado em: 30/04/2026
Leonardo Polo
Locro argentino tradicional: o ensopado de milho, abóbora e carnes das festas pátrias

O locro é o prato que a Argentina cozinha quando quer se lembrar de onde veio. Herdado dos povos andinos que já cultivavam milho e abóbora muito antes da chegada dos espanhóis, ele ganhou carnes, embutidos e banha na mesa colonial e virou o ensopado das grandes panelas, daquelas que alimentam uma família inteira e ainda sobram para o dia seguinte.

Hoje ele é obrigatório nas datas pátrias, especialmente em 25 de maio e 9 de julho, quando o frio do inverno austral combina com um prato que aquece de dentro para fora. Cada província tem a sua versão: no noroeste leva mais abóbora e milho pisado, em Buenos Aires aparece com chouriço e bacon, e há quem jure que sem mondongo não é locro.

A receita abaixo é a versão de casa mais comum, sem exagero de partes de porco difíceis de encontrar fora da Argentina. O segredo está em três coisas: milho branco de boa qualidade deixado de molho, cozimento lento sem pressa e a pasta vermelha de pimentão e cebolinha, chamada de quiquirimichi ou simplesmente salsa picante, que vai por cima na hora de servir.

Ficha da receita

  • Origem: Argentina, com raízes andinas
  • Categoria: Prato principal, ensopado
  • Dificuldade: Média
  • Tempo de preparo: 40 minutos (mais 12 horas de molho do milho)
  • Tempo de cozimento: 3 horas
  • Rendimento: 8 porções

Ingredientes — ensopado

  • 500 g de milho branco seco (canjica branca), de molho de um dia para o outro
  • 200 g de feijão branco, de molho junto com o milho
  • 500 g de músculo bovino em cubos
  • 300 g de costelinha de porco em pedaços
  • 200 g de bacon em cubos
  • 2 chouriços (ou linguiça calabresa) em rodelas grossas
  • 500 g de abóbora cabotiá em cubos
  • 2 batatas-doces em cubos
  • 1 cebola grande picada
  • 1 pimentão vermelho picado
  • 3 dentes de alho picados
  • 1 colher de sopa de páprica doce
  • 1 colher de chá de cominho em pó
  • 2 folhas de louro
  • Sal e pimenta-do-reino a gosto
  • Água quente o suficiente para cobrir

Ingredientes — molho para servir

  • 4 colheres de sopa de óleo ou banha
  • 2 colheres de sopa de páprica doce
  • 1 colher de chá de pimenta calabresa (opcional)
  • 4 talos de cebolinha bem picados
  • Sal a gosto

Modo de preparo

  1. Escorra o milho e o feijão que ficaram de molho e reserve.
  2. Numa panela grande, doure o bacon em fogo médio até soltar a gordura.
  3. Junte a cebola, o pimentão e o alho e refogue até murcharem.
  4. Acrescente o músculo e a costelinha e sele bem todos os lados.
  5. Adicione o milho, o feijão, o louro, a páprica e o cominho, mexa e cubra com água quente uns quatro dedos acima dos ingredientes.
  6. Cozinhe em fogo baixo, com a panela semitampada, por cerca de 2 horas, mexendo de vez em quando e completando com água quente se secar.
  7. Coloque a abóbora, a batata-doce e o chouriço e cozinhe por mais 1 hora, até a abóbora desmanchar e engrossar o caldo.
  8. Acerte o sal e a pimenta e amasse parte da abóbora contra a lateral da panela para dar cremosidade.
  9. Para o molho, aqueça o óleo, desligue o fogo, junte a páprica, a pimenta calabresa, a cebolinha e o sal e misture.
  10. Sirva o locro bem quente em tigelas fundas com uma colherada do molho vermelho por cima.

Dicas e variações

  • Na panela de pressão, cozinhe o milho com as carnes por 40 minutos e depois termine com a abóbora em panela aberta.
  • Mondongo (dobradinha) já cozido e picado é o acréscimo tradicional para quem gosta.
  • A versão sem carne troca os embutidos por mais abóbora e batata-doce e fica igualmente cremosa.
  • O locro melhora no dia seguinte: reaqueça em fogo baixo com um pouco de água.
  • Congela bem em porções por até 3 meses.
  • Sirva com pão crocante e, no estilo argentino, uma taça de vinho malbec.
  • Se o caldo ficar ralo, amasse mais um pouco de abóbora e cozinhe destampado por 15 minutos.

Locro é comida de reunião: faça uma panela grande, chame gente e deixe o molho vermelho na mesa para cada um dosar o seu. É assim que se come na Argentina, e é assim que ele faz mais sentido.