Mumu tradicional: o porco, a batata-doce e as verduras da Papua-Nova Guiné cozidos no forno de terra com leite de coco
Nas terras altas da Papua-Nova Guiné, nenhuma cerimônia importante acontece sem mumu: casamento, compensação entre clãs, funeral, a recepção a um visitante. Os porcos são a maior riqueza das aldeias, e um mumu grande pode cozinhar dezenas deles, com centenas de quilos de batata-doce, numa cova de metros de comprimento, em torno da qual a comunidade inteira trabalha desde a madrugada.
A técnica é a do forno de terra de toda a Oceania: pedras aquecidas numa fogueira, colocadas no fundo da cova, cobertas com folhas de bananeira, camadas de carne e raízes intercaladas com mais pedras e folhas, água e leite de coco jogados por cima para fazer vapor, e tudo tampado com folhas, terra e capim. Depois de duas a quatro horas, a cova é aberta e a comida é distribuída em folhas, na ordem de importância dos presentes.
Em casa, uma churrasqueira com tampa ou um forno reproduzem o essencial: o cozimento lento no vapor, com o porco e as raízes absorvendo o coco e o perfume das folhas. A batata-doce, kaukau em tok pisin, é o alimento básico das terras altas e não pode faltar; as folhas de abóbora e de aibika, uma hibisco comestível, entram no fim e podem ser substituídas por espinafre e couve.
Ficha da receita
- Origem: Terras altas da Papua-Nova Guiné
- Categoria: Prato de festa, cozido no forno de terra
- Dificuldade: Média (trabalho, não técnica)
- Tempo de preparo: 1 hora
- Tempo de cozimento: 3 horas
- Rendimento: 10 porções
Ingredientes
- 2 kg de pernil ou paleta de porco com pele, em pedaços grandes
- 1,5 kg de batatas-doces inteiras com casca, lavadas
- 6 bananas-da-terra verdes com casca
- 500 g de taro ou inhame em pedaços grandes
- 1 maço de folhas de abóbora ou espinafre
- 1 maço de couve ou de aibika
- 2 latas de leite de coco (800 ml)
- 1 colher de sopa de sal grosso
- 2 pedaços de gengibre esmagados
- Folhas de bananeira em quantidade (ou papel-alumínio)
- Pedras de rio limpas (se fizer na churrasqueira ou na cova)
Modo de preparo
- Esfregue o porco com o sal e o gengibre e deixe descansar 30 minutos.
- Passe as folhas de bananeira na chama ou em água quente para amaciar.
- Na churrasqueira com tampa: aqueça pedras na brasa por 1 hora até ficarem muito quentes e arrume metade delas no fundo de uma panela grande de ferro ou de uma lata de metal, cobertas com folhas de bananeira. No forno: use uma assadeira funda forrada com folhas.
- Monte as camadas: batata-doce, taro e banana no fundo, o porco por cima, mais folhas de bananeira entre as camadas e, se usar pedras, algumas entre elas.
- Despeje metade do leite de coco por cima.
- Cubra com folhas de bananeira e, na churrasqueira, com sacos de estopa molhados e a tampa; no forno, com folhas e alumínio bem fechado.
- Cozinhe por 2h30 (churrasqueira em fogo indireto médio ou forno a 170 °C).
- Abra, junte as folhas verdes por cima, regue com o resto do leite de coco, feche de novo e cozinhe por mais 30 minutos.
- Abra à mesa, sobre folhas de bananeira, e sirva as raízes, o porco e as verduras juntos, regados com o caldo do fundo.
Dicas e variações
- A cova de verdade: 60 cm de profundidade, pedras aquecidas por 2 horas, camadas como descrito, terra e capim por cima, 3 a 4 horas.
- Frango inteiro e peixe embrulhado em folhas são as outras proteínas do mumu.
- A batata-doce cozinha com casca e é descascada no prato.
- O leite de coco é da costa; nas terras altas o mumu tradicional é só com água, mais seco.
- Pedras de rio explodem se molhadas: use pedras secas ou tijolos refratários.
- Sobras de porco e batata-doce fritos na frigideira no dia seguinte são um bom café da manhã.
- Sirva com sal e limão à parte e nada mais: o sabor é o da fumaça e do coco.
Mumu é festa de aldeia: porco, batata-doce e folhas cozidos no vapor das pedras por horas, abertos diante de todos. Faça na churrasqueira com tampa, num sábado, e sirva na folha.