Arroz de carreteiro gaúcho: receita tradicional com charque

Publicado em: 11/08/2026
Leonardo Polo
Arroz de carreteiro gaúcho: receita tradicional com charque

Poucos pratos representam tão bem a alma da culinária gaúcha quanto o arroz de carreteiro. Simples, rústico e reconfortante, ele nasceu nas estradas do Rio Grande do Sul e atravessou gerações sem perder o seu charme. Se você quer preparar uma refeição que enche a casa de cheiro bom e reúne todo mundo à mesa, veio ao lugar certo.

Neste artigo, vamos mergulhar na receita tradicional feita com charque, aquela carne salgada e seca que dá personalidade ao prato. Você vai encontrar a ficha completa, o passo a passo, dicas para acertar de primeira, substituições possíveis e até um pouco da história por trás dessa iguaria querida dos pampas.

Ficha da receita

  • Prato: Arroz de carreteiro gaúcho com charque
  • Origem: Rio Grande do Sul, Brasil
  • Região/tradição: Gaúcha
  • Categoria: Prato principal
  • Dificuldade: média
  • Tempo: 1h30 (mais o tempo de dessalgar o charque)
  • Rendimento: 6 porções
  • Informação nutricional: aproximadamente 400 a 500 calorias por porção

Ingredientes

  • 500 gramas de charque
  • 2 xícaras de arroz branco
  • 1 cebola grande picada
  • 4 dentes de alho picados
  • 1 pimentão verde picado
  • 2 tomates maduros sem sementes picados
  • 3 colheres de sopa de óleo ou banha
  • Cheiro-verde picado a gosto
  • 4 xícaras de água quente
  • Sal e pimenta-do-reino a gosto (com cuidado, pois o charque já é salgado)

Modo de preparo

  1. Antes de tudo, dessalgue bem o charque: corte a carne em pedaços pequenos e deixe de molho em água fria por algumas horas, trocando a água pelo menos três a quatro vezes.
  2. Se tiver pressa, ferva o charque em água por alguns minutos, escorra e repita o processo duas vezes até reduzir o sal.
  3. Depois de dessalgado e bem escorrido, corte o charque em cubos pequenos.
  4. Em uma panela grande e de fundo grosso, aqueça o óleo ou a banha e refogue os pedaços de carne até dourarem e soltarem o aroma, dando tempo para a carne pegar cor.
  5. Acrescente a cebola e o alho e refogue até ficarem macios e perfumados.
  6. Junte o pimentão e os tomates, mexendo bem para formar uma base saborosa.
  7. Adicione o arroz cru e refogue por um ou dois minutos, para que os grãos absorvam os temperos.
  8. Despeje a água quente, prove e ajuste o sal com cautela, lembrando que o charque libera bastante sal durante o cozimento.
  9. Tampe a panela e cozinhe em fogo baixo até que a água seque e o arroz fique macio e soltinho.
  10. Salpique o cheiro-verde, misture delicadamente e sirva bem quente.

Dicas e variações

  • Para um resultado mais autêntico, prefira preparar o carreteiro em panela de ferro ou de fundo grosso, que distribui melhor o calor e realça o sabor.
  • Não tenha pressa no refogado do charque, pois é ali que mora o segredo do prato.
  • Para um toque especial, muitos gaúchos gostam de acrescentar uma pitada de pimenta ou finalizar com um fio de banha derretida.
  • Caso não encontre charque, substitua por carne-seca, que passa pelo mesmo processo de dessalga.
  • Sobras de churrasco também rendem um carreteiro delicioso e reaproveitam a carne do dia anterior.
  • Para conservar, guarde o arroz em recipiente fechado na geladeira por até três dias e aqueça com um pouquinho de água para devolver a umidade.
  • Por conter charque, o prato tende a ter bastante sódio, então quem precisa controlar o sal deve caprichar na dessalga e evitar acrescentar sal extra.

Por porção, o arroz de carreteiro traz aproximadamente 400 a 500 calorias, sendo uma refeição rica em carboidratos e proteínas. Trata-se de um prato substancioso, ideal para dias frios e refeições que pedem energia.

O nome carreteiro vem dos condutores de carretas que cruzavam o Rio Grande do Sul transportando mercadorias no século XIX. Como as viagens eram longas, eles precisavam de ingredientes que não estragassem facilmente, e o charque, por ser carne conservada no sal, era perfeito. Nas paradas, misturava-se o charque ao arroz numa panela só, criando uma refeição prática, nutritiva e cheia de sabor que resistiu ao tempo e virou símbolo da mesa gaúcha. Agora é a sua vez de levar essa tradição para a sua cozinha e compartilhar com quem você ama.